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COACH é língua de sapo

            O Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região está disponibilizando um curso sobre aposentadoria no próximo dia 12 de junho. O curso será ministrado por uma ‘MASTER COACH’, cujo nome não vem ao caso.. Longe de desmerecer o curso e desconsiderar a justa inciativa dos colegas que o propuseram, manifesto aqui a minha incontida […]

quinta-feira 7 junho 2018 às 12:13

            O Tribunal Regional do Trabalho da 22ª Região está disponibilizando um curso sobre aposentadoria no próximo dia 12 de junho. O curso será ministrado por uma ‘MASTER COACH’, cujo nome não vem ao caso.. Longe de desmerecer o curso e desconsiderar a justa inciativa dos colegas que o propuseram, manifesto aqui a minha incontida indignação contra a nomenclatura pomposa e violadora que antecede o nome do (a) ministrante – por mais este (a)seja competente e abalizado(a).

COACH é língua de sapo. Basta ver as historinhas do Chico Bento, do genial Maurício de Sousa. Os sapos se comunicam de COACH em COACH. O resto, é coisa pra inglês ver.

COACH, traduzindo para a língua dos mortais, é simplesmente TREINADOR. Mas treinador é coisa de jogador de futebol e a nossa elite americanizada jamais se contentaria em ser comparada com aquele que comanda nas laterais do campo os moleques que correm atrás de uma pelota para fazer a alegria dos oprimidos dessa imensa e negra nação.

A dominação estrangeira, meus amigos do futebol e de Tribunal, começa pela língua. Primeiro nos dominam o idioma. Depois dominam nossa cultura, nossa riqueza, nossa história e, quando nos damos conta,  nos aprisionam a  alma. Passamos a querer o que eles querem,comprar o que eles mandam e sorrir quando eles mangam da gente. E tudo isso nos sentindo o máximo. Foi assim com os índios e não ficou quase nenhum para contar a história.

Estou prestes a me aposentar, mas me nego terminantemente a participar de um curso ministrado por um COACH,venha de onde vier, seja ele quem for, Nãosou sapo, sou gente! E gente do Piauí, nascido no nordeste brasileiro, com idioma, sotaque, linguajar, cpf, identidade, abecedárioe digital que não estão à venda no mercado e nem nos google da vida.

Se o nosso Tribunal é de fato do Trabalho, que aprenda tambéma falar a língua do trabalhador. Todos sairemos ganhando com isso.

Quem não preserva a sua língua e não se orgulha da sua origem está fadado ao desaparecimento. A fala é a mais primária e a maior forma de identificação cultural de um povo. Preservar o seu idioma é, mais que nunca,insistir, resistir, existir.

DESISTIR, JAMAIS!!!

Pedro Laurentino (diretor do SINTRAJUFE e servidor do TRT)

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